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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A INVENÇÃO DE UM MITO POLÍTICO

Ou:

O gaúcho Pateta, dos estúdios Walt Disney




A partir de 1941, os estudios Disney se envolveram com o Departamento de Estado do Governo Roosevelt para fins de investida comercial na América do Sul. Os mercados europeus estavam fechados pela guerra, assim, os EUA precisavam de parceiros comerciais na própria América, bem como em fazer aliados e estreitar relações com os governos do Brasil e da Argentina, especialmente.

Disney foi usado para tais finalidades, por isso criou dois personagens para agradar os sulamericanos. Foram criados o Joe Carioca (Zé Carioca) e El Gaucho Goofy (Pateta Gaúcho), este já existia, mas foi redesenhado como um tipo cowboy dos pampas com a finalidade de fazer-se simpático ao povo argentino.

Como se vê, o uso político-comercial do gaucho (ou gaúcho) foi uma ideia anterior aos jovens estudantes do Colégio Júlio de Castilhos de Porto Alegre, quando, na década de 1950, resolveram dar um perfil mais definido ao “tipo ideal” (Weber) do Rio Grande do Sul.

Os jovens sulinos, representados basicamente por Paixão Cortes e Barbosa Lessa, estavam inventando uma tradição, como tantas outras que se criam mundo afora, à guisa de suporte de feitos heróicos para fins de coesão social, mitos políticos (comumente de direita, como Joana D'Arc na França) e mesmo meros produtos comerciais passíveis de virarem fetiches mercadológicos.

Vejam que a própria ideia já é de segunda mão, os rapazes do Julinho chegaram tarde ao mercado do gaucho. Disney chegou primeiro.


Texto copiado de Diário Gauche

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os deuses Iorubás, a mitologia Greco Romana e o sincretismo com o catolicismo

EXU


Exu é o primeiro Orixá, aquele que é mais desconhecido e por isso mesmo, temido. Comece tirando da cabeça a ligação que outras crenças tentaram fazer de Exu com demônio e substitua esse conceito por mensageiro, pois esse é o Orixá que faz a ligação entre os seres humanos e os outros Orixás. Na mitologia ele é Hermes ou Mercúrio.

Ele contém um poder imenso de renovação, de acabar com o que está velho e gasto para recriar o novo e vigoroso. Sob esse prisma, ele é um Orixá benéfico, com poder de revigorar as pessoas.


OGUM

Ogum é um poderoso Orixá, dono do ferro e do fogo. Ele é um guerreiro, um lutador que defende a lei e a ordem. Este Orixá abre os caminhos e vence as lutas, protegendo os mais fracos. Todas as lutas, as vitórias, as conquistas são presididas por Ogum.

Poderá traçar um paralelo entre Ogum e os deuses Marte e Ares da mitologia greco-romana. Ambos são impulsivos, violentos, guerreiros e leais.


OXÓSSI

Oxóssi é o Orixá da caça, que vive nas matas para cuidar dos animais. É ele quem torna a caça abundante e garante a alimentação do povo. Como habitante das florestas, está sempre perto de Ossãe, a Orixá das folhas, por essa proximidade é ele quem pode trazer aos homens as plantas curativas.

Poderá traçar um paralelo entre Oxóssi e os deuses Mercúrio e Hermes da mitologia greco-romana, num aspecto diferente do que é ligado a Exu, cuja função única de mensageiro traça o paralelo com esses deuses. Para a relação com Oxóssi vemos as qualidades da rapidez, da mudança, da curiosidade, da leveza.


XANGÔ

Xangô é o Orixá dos reis, dos justos, dos juízes e dos poderosos. Ele próprio foi um rei guerreiro, que enriqueceu seu povo com muitas conquistas que fez. O seu trabalho entre os homens é cobrar de quem deve e premiar quem merece, agindo com sabedoria, justiça e poder.

Para ter uma melhor noção sobre sua função entre os Orixás, poderá traçar um paralelo entre Xangô e os deuses Júpiter e Zeus da mitologia greco-romana. Ambos são superiores na hierarquia dos deuses, encarregados de fazer cumprir a lei e processar julgamentos.


IANSÃ

Ela é a senhora dos ventos, das tempestades. Uma Orixá altiva, guerreira, poderosa. Essa Orixá é independente, nunca se deixa dominar pelos Orixás masculinos, só obedece a si própria. Ela é valente e briguenta, não aceita ordens nem escuta desaforos. Iansã tem o poder de controlar a ação dos espíritos negativos.

Pode comparar a função dela com as deusas Juno e Hera da mitologia greco-romana. Ambas são fortes, justas e lutadoras.


IEMANJÁ

Ela é a senhora do mar, Iemanjá é o próprio mar divinizado. Essa Orixá representa a beleza, a família, a maternidade e o amor. Suas funções mágicas vêm de épocas remotas, pois todas as civilizações sempre endeusaram a mulher ligada ao mar.

Iemanjá tem relação com as deusas Vênus e Afrodite da mitologia greco-romana. Ambas são belas, férteis, sedutoras e doadoras.


OMULU

Omulu é o Orixá das doenças, ele preside a morte e o tratamento médico. Seu respeito dentro do Candomblé é grande. Sua ação na natureza é realizar a eliminação, dando fim ao que não serve mais. Ele traz a doença e também as pesquisas para os remédios da cura. Tudo que está sob sua influência demora, é um Orixá lento.

Omulu tem relação com os deuses Saturno e Cronos da mitologia greco-romana. Ambos são lentos, kármicos e solitários.


OXALÁ

Oxalá é o pai de todos, o Orixá maior, o amor universal. Sua ação se manifesta através da fé, da luz, da razão e da paz.

Oxalá e o deus Apolo da mitologia greco-romana são afins. Esse deus personifica a luz, pois está relacionado com o Sol, ele é o portador da vida, o estímulo a tudo que está criado, o bem e a ordem universal.


OXUM

Oxum é a Orixá da fertilidade, a dona do ouro e do leite. Ela simboliza o amor, a união, o casamento. Ela é muito vaidosa, é uma protetora da beleza das mulheres. Essa Orixá cuida das criancinhas desencarnadas.

Para ter uma melhor noção sobre sua função entre os Orixás, poderá traçar um paralelo entre Oxum e as deusas Vênus e Afrodite da mitologia greco-romana, tal como Iemanjá. Veja em Oxum as qualidades do crescimento, do acolhimento e da maternidade que essas deusas possuem. Ambas são mães.


NANÃ

Nanã é a Orixá mais velha, a que tem mais sabedoria, a mais respeitada, que todos ouvem. Ela é a avó, dona do barro com o qual Obatalá fez os homens. Dona da justiça, tinha o cargo de juíza. Nanã habita o fundo do mar, os pântanos e os brejos, também está nos poços profundos. É a vovó.

Pode ligar Nanã às deusas Cibele e Réia da mitologia greco-romana. Ambas são férteis e doadoras.


LOGUM EDÉ

Logum significa caçador. Logum Edé é um Orixá singular, vive seis meses na mata comendo caça e seis meses embaixo d'água, comendo peixe. Filho de Oxóssi e Oxum, esse Orixá é andrógino.

Logum Edé tem relação com o deus Hermafrodito da mitologia greco-romana, filho de Hermes e Afrodite (Vênus). Características dele são a volubilidade, a facilidade, a beleza e o refinamento.


OSSÃE

Ossãe é a protetora das folhas, ela conserva o segredo da cura através das plantas, seja de forma mágica ou medicinal. Dizem que Ossãe tem uma perna só, por isso se oculta nas folhagens. Antes ela era um Orixá masculino, mas conquistou Oxóssi com o feitiço das suas folhas e agora é considerada uma Orixá feminina.

Para ter uma melhor noção sobre sua função entre os Orixás, poderá traçar um paralelo entre Ossãe e os deuses Esculápio ou Asclépio da mitologia greco-romana. Ambos são curadores e manipulam remédios.


OXUMARÉ

Oxumaré é um Orixá que não é masculino nem feminino, com sua dualidade ele carrega todos os opostos dentro de si. Filho de Nanã e Oxalá, ele é a serpente que morde a própria cauda.

Pode comparar Oxumaré e a deusa Íris da mitologia grega, a deusa do arco-íris, mas as qualidades não são semelhantes em tudo.


EUÁ

Euá é a dona do céu cor de rosa, a Orixá da beleza e da vidência. Ela raramente aparece e por não ser muito cultuada no Brasil, está um pouco esquecida. Governa o casamento e todas as associações. A cobra coral é seu símbolo em algumas linhas, ela é esposa de Omulu.

Euá tem alguma relação com as deusas Minerva, Palas e Atena da mitologia greco-romana. Ambas são justas, poderosas e fortes.


OBÁ

Obá é uma guerreira brava, forte e leal. Uma Orixá incompreendida e valorosa, pouco conhecida. Na África ela é um rio, que leva seu nome, por isso está ligada à água doce revolta.

Poderá traçar um paralelo entre Obá e as deusas Artêmis e Diana da mitologia greco-romana. Ambas são guerreiras e leais.


IBEIJIS

A essência dos Ibeijis é o nosso lado infantil, a criança que fomos e sempre manteremos viva em nosso interior. O nosso lado mais infantil, puro e alegre está relacionado com Ibeijis. Mas também nossa falta de maturidade e pouco senso para lidar com as obrigações está sob influência dessa energia.

Por essa razão, sempre há em cada pessoa um Ibeiji e ninguém é filho deles.





Sincretismo - Muitos usam o sincretismo para poderem situar-se com os orixás. O sincretismo nada mais é do que relacionar o nome do orixá com um santo católico, por exemplo:





Oxalá
( Jesus Cristo )
Amor, caridade, fé, compaixão, simplicidade, humildade, benevolência, perdão, altruísmo. É o mais evoluído de todos os Orixás.

Bebiba - Água
Comida - Canjica Branca
Vela - Branca




Iemanjá ( Nossa Senhora )
Senhora do mar, mãe das águas. Comanda a falange da sereias, ondinas e entidades que trabalham na força do mar.

Bebiba - Champagne Branca
Comida - Manjar de côco
Vela - Azul





Oxum ( Nossa Senhora Aparecida )
Domina as águas doces (rios), comanda suas linhas transmitindo amor e fraternidade para seus filhos.
Bebiba - Vinho Branco Doce
Comida - Canjica Amarela
Vela - Rosa




Iansã ( Santa Bárbara )
Guerreira, senhora dos trovões e das chuvas. Podemos sempre pedir proteção a ela para que tenhamos segurança em nossos caminhos e também em nossa vida.

Bebiba - Vinho Branco Doce
Comida - Farinha de milho com azeite de dendê e mel.
Vela - Amarela




Xangô ( São Jerônimo )
Representante da justiça divina, é também o Senhor do fogo, habita as pedreiras. Para quem precisa de justiça este é o orixá certo para pedir , pois é ele quem nos protege das injustiças desse mundo.

Na lei da Justiça: “Quem deve paga, quem merece recebe.”

Bebiba - Cerveja preta
Comida - Acém com Quiabo
Vela - Marrom




Ogum ( São Jorge )
Valente guerreiro, quebra as demandas e da proteção nos nossos caminhos. Ogum trabalha sob a Lei Divina e comanda também falanges de Exu, para que somente o bem seja feito em prol da Umbanda.

Bebiba - Cerveja branca
Comida - Frango Assado
Vela - Vermelha




Oxossi (São Sebastião)
Rei das matas, rege toda a linha de caboclos e caboblas.

Bebiba - Vinho Tinto
Comida - Mandioca com mel, milho cozido, frango assado, frutas
Vela - Verde





Omulu (São Lázaro/São Roque)
Dono do cemitério. Comanda a linha das Almas e também dos Exús e Pombas-gira que trabalham sob a força do cemitério.

Bebiba - Água
Comida - Pipoca estourada no azeite de dendê e mel.
Vela - Branca/Preta

sábado, 26 de março de 2011

21 de Março - Dia Internacional contra a Discriminação Racial

No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

Para trabalharmos ações de combate a discriminação racial no Brasil, é preciso retomar a diáspora africana. Portanto, urge colocarmos em relevo datas simbólicas internacionais com datas brasileiras, contribuindo na recontagem histórica da participação dos africanos e indígenas no país.

Nesse sentido, para iniciar um diálogo sobre esse assunto, sugere-se assistir ao curta "Vista minha pele":



“Vista a Minha Pele” é uma divertida paródia da realidade brasileira. Serve de material básico para discussão sobre racismo e preconceito em sala-de-aula.

Nesta história invertida, os negros são a classe dominante e os brancos foram escravizados. Os países pobres são Alemanha e Inglaterra, enquanto os países ricos são, por exemplo, África do Sul e Moçambique. Maria é uma menina branca, pobre, que estuda num colégio particular graças à bolsa-de-estudo que tem pelo fatode sua mãe ser faxineira nesta escola. A maioria de seus colegas a hostilizam, por sua cor e por sua condição social, com exceção de sua amiga Luana, filha de um diplomata que, por ter morado em países pobres, possui uma visão mais abrangente da realidade.

Maria quer ser “Miss Festa Junina” da escola, mas isso requer um esforço enorme, que vai desde a superação do padrão de beleza imposto pela mídia, onde só o negro é valorizado, à resistência de seus pais, à aversão dos colegas e à dificuldade em vender os bilhetes para seus conhecidos, em sua maioria muito pobres. Maria tem em Luana uma forte aliada e as duas vão se envolver numa série de aventuras para alcançar seus objetivos. O centro da história não é o concurso, mas a disposição de Maria em enfrentar essa situação. Ao final ela descobre que, quanto mais confia em si mesma, mais capacidade terá de convencer outros de sua chance de vencer.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sete Povos da Missões

Sete Povos da Missões ou Missões Orientais são sete aldeamentos habitados antigamente pelos indígenas e fundado pelos jesuítas na região que é hoje o estado do Rio Grande do Sul. Faziam parte as seguintes missões:
  1. São Francisco de Borja
  2. São Nicolau
  3. São Miguel Arcanjo
  4. São Lourenço Mártir
  5. São João Batista
  6. São Luiz Gonzaga
  7. Santo Ângelo Custódio

A redução de São Nicolau foi a primeira a ser fundada, no ano de 1626, mas só foi em 1687 que as instalações permanentes foram inauguradas. Este espaço de tempo deve-se a fuga devido aos ataques dos bandeirantes. A população que compunha a missão se abastecia principalmente do gado. Foi a maior missão dos Sete Povos e registros indicam que no ano de 1732 haviam 7.751 índios. Este número de índios foi somente os que estavam na sede, acredita-se que existiam muito mais.

São Miguel de Arcanjo foi a segunda redução a ser construída a partir de 1687 pelos guaranis. Contava no ano de 1732 com 4.589 indígenas.

A missão de São Francisco de Borja foi fundada em 1682 e é localizada mais ao sul do que os demais povos. Ela é tão importante que pode ser considerada como a primeira missão, mesmo cronologicamente tendo sido a terceira. Isso se deve ao fato de que ao ser fundada deu-se inicio ao processo evangelizador das missões jesuítas no Rio Grande do Sul.

São Luiz Gonzaga foi fundada em 1687 e contava com 6.182 índios que habitavam a região rodeada pelos rios Uruguai, Ijuí e Piratinim. Em 1690 foi fundada a missão de São Lourenço que ficava localizado a margem esquerda do rio Uruguai e contava com 6.513 indígenas. Sete anos depois foi instalada a missão de São João Baptista que contava com 5.274 índios somente na área urbana. A última missão a ser instalada foi a de Santo Ângelo Custódio, no ano de 1706 e por sua vez contava com 5.085 índios.

O declínio dos Sete Povos começou durante o século XVIII. A região estava sendo disputada entre os espanhóis e portugueses. Ficou acertado através do Tratado de Madri, firmado em 1750, que Portugal trocaria a Colônia de Sacramento (para os espanhóis) pela região em disputa, desde que os espanhóis retirassem os jesuítas. O problema é que ninguém queria sair, nem os jesuítas, nem os índios e até mesmo os portugueses, que não queriam deixar Sacramento.

Sepé Tiaraju, indio guaraní: "Co ivi oguereco iara" (Esta terra tem dono)

A 7 de fevereiro de 1756, tombava em combate contra portugueses e espanhóis, na resistência à invasão dos Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul, o índio guarani Sepé Tiaraju.
A resistência guarani foi uma inssurreição das reduções dos Sete Povos das Missões (São Francisco de Borja, São nicolau, São Luís Gonzaga, São miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio) contra o Tratado de Madrid (1750), que entregava definitivamente à coroa portuguesa a região das Missões e integrava à Espanha a Colônia de Sacramento).
Os índios guaranis, liderados por Sepé, não aceitaram tal imposição. Mesmo assim, padres jesuítas espanhóis tentaram convencê-los a abandonar as terras e tudo o que haviam construído, e rumar para a banda ocidental do rio Uruguai. Mas o espírito de resistência prevaleceu e os guaranis expulsaram os jesuítas das reduções, fazendo com que muitos padres tivessem que fugir para se esconder em Buenos Aires, a fim de salvarem suas peles...
“Esta terra tem dono!” bradou Sepé para portugueses e espanhóis... E ergueram-se em revolta os guaranis armados com lanças de taquara!!

Que bom se hoje o povo brasileiro se inspira-se em Sepé Tiaraju e na alma missioneira contra a opressão dos pobres, perpetrada pelos novos conquistadores (patrões, etc) e a enganção da pelegada reformista e vanguardista, os novos “jesuítas”, que tentam convencer o povo a desistir do enfrentamento contra o inimigo de classe, unindo-se a ele.

Texto parcialmente retirado e editado de HB e Midia Independente.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tia Ciata e o samba

Hilária Batista de Almeida nasceu na Bahia em 1854. Aos 22 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde formou nova família ao se casar com João Baptista da Silva, funcionário público com quem teve 14 filhos.

Como todas as baianas da época, era grande quituteira. Começou a trabalhar colocando o seu tabuleiro na Rua Sete de Setembro, sempre vestida de baiana. Com tino comercial, também alugava roupas típicas para o teatro e para o carnaval.

Mãe-de-santo respeitada, Hilária foi confirmada no santo como Ciata de Oxum. Em sua casa, as festas eram famosas. Sempre celebrava seus orixás, sendo as festas de Cosme e Damião e de Nossa Senhora da Conceição as mais prestigiadas. Mas também promovia festas profanas, nas quais se destacavam as rodas de partido-alto. Era nessas rodas que se dançava o miudinho, uma forma de sambar de pés juntos, na qual Ciata era mestra.

A Praça Onze ganhou o apelido de Pequena África, porque era o ponto de encontro dos negros baianos e dos ex-escravos radicados nos morros próximos ao centro da cidade. Lá se reuniam músicos amadores e compositores anônimos. A casa de Tia Ciata, na rua Visconde de Itaúna 117, era a capital da Pequena África. Dos seus freqüentadores habituais, que incluíam Pixinguinha, Donga, Heitor dos Prazeres, João da Baiana, Sinhô e Mauro de Almeida, nasceu o samba. A música Pelo telefone foi o primeiro samba registrado, no final de 1916, e virou sucesso no carnaval de 1917.

As chamadas “tias” baianas tiveram um papel preponderante no cenário de surgimento do samba no Rio de Janeiro, no final do século XIX e início do XX. Além de transmissoras da cultura popular trazida da Bahia e sacerdotisas de cultos e ritos de tradição africana, eram grandes quituteiras e festeiras, reunindo em torno de si a comunidade que inundava de música e dança suas celebrações – as festas chegavam a durar dias seguidos. Nessa época, viviam Tia Amélia (mãe de Donga), Tia Prisciliana (mãe de João de Baiana), Tia Veridiana (mãe de Chico da Baiana) e Tia Mônica (mãe de Pendengo e Carmen do Xibuca). Mas a mais famosa de todas foi Tia Ciata, em cuja casa nasceu o samba.

Em 1935, o então prefeito do Rio, Pedro Ernesto, legalizou as escolas de samba e oficializou os desfiles de rua. Antes disso, sem horário nem percurso fixo, o indispensável era que os grupos passassem pela Praça Onze, pelas casas das “tias” baianas. Elas eram consideradas mães do samba e do carnaval dos pobres. A casa de Tia Ciata era parada obrigatória, pois era a mais famosa e muito respeitada pela comunidade. Até hoje, as tias são representadas e homenageadas nos desfiles, pela ala das baianas das escolas de samba.

Em 2011, Tia Ciata é enredo da escola Unidos de Padre Miguel, e sua história será contada novamente!


Fonte: Portal da Cultura Negra , Cabrocha, a flor do Samba e http://www.acordacultura.org.br

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

OBAN - Operação Bandeirante

A Operação Bandeirante (OBAN) foi um centro de informações, investigações e de torturas montado pelo Exército do Brasil em 1969, que a coordenava e integrava as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda que tinham por objetivo confrontar a regime militar que vigorava desde 1964 no Brasil.

Empresários brasileiros e até multinacionais apoiaram a OBAN dando suporte material e até financeiro para a perseguição de pessoas consideradas "subversivas" (que eram contrárias à ditadura), porém pouco dessa história veio à tona, mesmo tantos anos depois do fim do regime militar.

A OBAN foi lançada oficialmente em junho de 1969. Teriam participado do ato de lançamento da OBAN, no dia 1º de julho de 1969, em São Paulo, o governador da época, Roberto Costa de Abreu Sodré, o secretário de Segurança Pública, Hely Lopes Meireles, o general José Canavarro Pereira, comandante do II Exército, e os comandantes do VI Distrito Naval e da 4ª Zona Aérea.

O ato que celebrou a criação da Oban foi organizado com pompa, coquetéis e salgadinhos e contou com a presença das principais autoridades políticas de São Paulo: o governador Roberto de Abreu Sodré, o prefeito Paulo Maluf, o comandante do II Exército (atual Regional Sudeste), general José Canavarro Pereira, entre outros. Também acorreram à cerimônia figuras proeminentes da elite paulista, oriundas dos meios empresarial e financeiro: Luiz Macedo Quentel, Antonio Delfim Netto, Gastão Vidigal, Paulo Sawaya e Henning Albert Boilesen. Parte do setor empresarial paulista e das multinacionais – com representação em São Paulo – acreditava que as ações guerrilheiras colocavam em risco a boa conduta dos negócios e concorreu para o apoio financeiro e material. As autoridades da cidade colaboraram com infra-estrutura, incluindo a cessão de partes das dependências da 36ª delegacia de polícia, situada na rua Tutóia (Vila Mariana), para a acomodação do novo órgão repressivo.

No entanto, o ex-governador Abreu Sodré negou qualquer envolvimento com a OBAN. O prefeito da capital paulista à época, Paulo Maluf, também refutou as versões de que teria dado apoio à iniciativa. Nada foi apurado oficialmente contra esse dois políticos.

O órgão contava com forças policiais e militares. Os militares comandavam as operações, enquanto as forças policiais imprimiam o estilo de investigação e interrogatório desenvolvidos em décadas de experiência nessa área. Os métodos de tortura empregados na inquirição de presos comuns foram incrementados com o emprego de aparelhos de choque elétrico – gentilmente cedidos pelos agentes de segurança estadunidenses –, a palmatória, o “pau-de-arara”, o “telefone” (tapas em ambos os ouvidos, simultaneamente), a famosa “cadeira do dragão” (à qual o interrogado era preso, enquanto recebia choques) e a privação de alimentos e de água.

As pessoas eram torturadas até confessarem o que sequer sabiam, e depois, sem ter mais qualquer valia ou serventia, eram levadas de avião, e jogadas em alto mar, com a barriga aberta a sangue frio, de modo a não boiarem e afundarem rapidamente, para jamais serem encontradas por seus amigos e parentes. (São os incontáveis "desaparecidos" da ditadura militar)

Este local é considerado a mais célebre casa de torturas e de assassinatos da ditadura e no paradigma dos órgãos de segurança da ditadura militar.

Era financiada por doadores privados como o Grupo Ultragás, Ford, GM e Grupo Camargo Corrêa, Grupo Objetivo entre outros e pelos bens tomados de suas vítimas. Entre os doadores, haviam os que apoiavam com entusiasmo a repressão e outros que contribuíam a contragosto, sob pressão.

Destaca-se a atuação da mídia, que na época esforçava-se para esconder os crimes cometidos pelo regime, e ainda justificava claros e evidentes assassinatos por tortura, como os de Vladimir Herzog, Rubens Paiva, Fiel Filho, Stuart Angel, e outros, como tendo sido suicídio, morte natural, desaparecimento e etc, sempre amparado por laudos médicos de legistas do terror, como Dr. Harry Shibata e outros menos badalados, que davam um cunho profissional de aparente seriedade a todos os "acidentes", "suicídios" e "desaparecimentos", jamais tratados como assassinatos por tortura e, cuja verdade como notícia a televisão e os jornais tratavam de fabricar.


Tanto a Oban, quanto o DOI-CODI, podem ser considerados como precursores de batalhões de elite das polícias civis e militares brasileiras – como as Rondas Extensivas Tobias Aguiar (ROTA), em São Paulo, ou o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), no Rio de Janeiro, para citar apenas os mais célebres – com amplo saldo de torturas e mortes. Dessa maneira, longe de permanecer um acontecimento longínquo do passado, a Oban segue servindo de inspiração para organizações congêneres no presente.

Obs:
As imagens foram copiadas do google imagens.
Este texto é uma síntese de materiais colhidos na internet, expressando opiniões de seus autores. Se não concorda com algo, entenda-se com eles. E faça sua própria pesquisa.
wikipedia
blogdocappacete
fazendomedia
humbertocapellari
carosamigos

terça-feira, 22 de junho de 2010

Atlântico Negro - Na rota dos orixás


ATLÂNTICO NEGRO - NA ROTA DOS ORIXÁS
País de Origem: Brasil
Ano: 1998
Duração: 75min
Diretor: Renato Barbieri.


Um relato realista e comovente das relações entre Brasil e África inspirou o videomaker Renato Barbieri e o historiador Victor Leonardi a criar uma série de quatro documentários chamada Atlântico Negro.

O primeiro filme da série, feito em vídeo, Na Rota dos Orixás, entrou em cartaz depois de ser elogiado no 31º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e de participar de eventos como o Dia Nacional da Consciência Negra.

Na Rota dos Orixás apresenta a grande influência africana na religiosidade brasileira. Na fita, Renato Barbieri mostra a origem das raízes da cultura jêje-nagô em terreiros de Salvador, que virou candomblé, e do Maranhão, onde a mesma influência gerou o Tambor de Minas.

Um dos momentos mais impressionantes deste documentário é o encontro de descendentes de escravos baianos que moram em Benin, um país africano desconhecido para a maioria do brasileiros, mantendo tradições do século passado.

Retirado parcialmente das páginas do Terra.

Obs: o vídeo está disponível no Youtube, dividido em partes.
Caso tenhas alguma dúvida quanto a qualidade do documentário, dê uma olhada neste link para ver a quantidade de prêmios que os caras ganharam!

domingo, 2 de maio de 2010

Brasil Colônia: O Senhor de Engenho


Quando falamos da sociedade açucareira no Brasil Colônia, sempre nos detemos na figura central, representante máximo da elite escravocrata colonial nordestina, o Senhor de Engenho. Servir-se da descrição minuciosa de Gilberto Freyre em Casa Grande e senzala é estar bem próximo daquilo que eram eles:

Como não se exercitavam, ficavam com “mãos de mulher, pés de meninos”, numa vida “ociosa, mas alagada de preocupações sexuais, a vida do senhor de engenho tornou-se uma vida de rede”, conta Freyre. “Rede parada, com senhor descansando, dormindo, cochilando. Rede andando, com o senhor em viagem ou a passeio debaixo de tapete ou cortinas. Rede rangendo, com o senhor copulando dentro dela. Da rede não precisava afastar-se o escravocrata para dar as suas ordens aos negros; mandar escrever suas cartas pelo caixeiro ou capelão; jogar gamão com algum parente ou compadre. De rede viajavam quase todos – sem ânimo para montar a cavalo: deixando-se tirar de dentro de casa como geléia por uma colher. Depois do almoço, ou do jantar, era na rede que eles faziam longamente o quilo – palitando os dentes, fumando charuto, cuspindo no chão, arrotando alto, peidando, deixando-se abanar, agradar e catar piolhos por mulequinhas, coçando os pés ou a genitália; uns coçando-se por vícios; outros por doença venérea ou da pele”
Gilberto Freyre, Casa-grande & senzala, 43ª. edição, Editora Record, 2001.

Pode-se dizer, sem medo de errar, que o "conceito" de elite no Brasil, parte dessa figura, o senhor de engenho, como seu representante ancestral mais antigo. Um parasita, dentro de um sistema opressor e excludente, como não poderia deixar de ser uma sociedade escravocrata.

Qual a relação podemos estabelecer entre aquelas elites parasitas, que serviam-se e esforçaram-se para manter o modo de produção escravo no Brasil durante mais de 350 anos, e as elites do Brasil do século XXI?
Pense nisso.
.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Populismo

Vargas, Perón e Rujas: exemplos dos governos populistas estabelecidos no continente americano.

O populismo foi um tipo de situação política experimentada na América Latina entre as décadas de 1930 e 1960, que teve como grande contexto propulsor a crise de 1929. Nessa época, várias das nações latinas – vistas como portadoras de uma economia periférica – viveram uma fase de desenvolvimento econômico seguido pelo crescimento dos centros urbanos e a rearticulação das forças sociais e políticas. Foi em meio a essas transformações diversas que a prática populista ganhou terreno.

A política populista é marcada pela ascensão de líderes carismáticos que buscam sustentar sua atuação no interior do Estado através do amplo apoio das maiorias. Muitas vezes, abandona o uso de intermediários ideológicos ou partidários para buscar na “defesa dos interesses nacionais” uma alternativa às tendências políticas de sua época, sejam elas tradicionalistas, oligárquicas, liberais ou socialistas. De diferentes formas, propaga a crença em um líder acima de qualquer outro ideal.

No campo de suas ações práticas, a tendência populista prioriza o atendimento das demandas das classes menos favorecidas, colocando tal opção como uma necessidade urgente frente aos “inimigos da nação”. De fato, o populismo permitiu a participação política de grupos sociais que historicamente foram completamente marginalizados das arenas políticas latino-americanas. Contudo, esse tipo de ação das camadas populares junto ao Estado não pode ser confundida com o exercício da democracia plena.

Uma das contradições mais marcantes do populismo consiste em pregar a aproximação ao povo, mas, ao mesmo tempo, estabelecer mecanismo de controle que permitam o aparecimento de tendências políticas contrárias ao poder vigente. De tal maneira, os governos populistas também são marcados pela desarticulação das oposições políticas e a troca dos “favores ao povo” pelo apoio incondicional ao grande líder responsável pela condução do país.

Além do autoritarismo e do assistencialismo, os governos populistas também tem grande preocupação com o uso dos meios de comunicação como instrumento de divulgação das ações do governo. Por meio da instalação ou do controle desses meios, o populismo utiliza de uma propaganda oficial massiva que procura se disseminar entre os mais distintos grupos sociais através do uso irrestrito das rádios, jornais, revistas e emissoras de televisão.

A ascensão dos regimes populistas sempre foi vista com certa desconfiança por determinados grupos políticos internos ou estrangeiros. A capacidade de mobilização das massas estabelecidas por tais governos, o apelo aos interesses nacionais e a falta de uma perspectiva política clara poderia colocar em risco os interesses defendidos pelas elites que controlavam a propriedade das terras ou das forças produtivas do setor industrial.

Dessa forma, podemos compreender que o populismo entrará em crise no momento em que não consegue mais negociar os interesses – muitas vezes antagônicos – das elites econômicas e das classes trabalhadoras. Quando as tensões políticas e sociais chegaram a tal ponto, podemos ver que grupos nacionais conservadores buscaram apoio político internacional, principalmente dos Estados Unidos, para varrer o populismo por meio da instalação de ditaduras que surgiram entre as décadas de 1950 e 1970.

Na América Latina, os exemplos de experiência populistas podem ser compreendidos na ascensão dos governos de Juan Domingo Perón (1946 – 1955/1973 – 1974), na Argentina; Lázaro Cárdenas (1934 – 1940), no México; Gustavo Rojas Pinilla (1953 – 1957), na Colômbia; e Getúlio Vargas (1930 – 1945/ 1951 – 1954), no Brasil. Apesar de se reportar a uma prática do passado, ainda hoje, podemos notar a presença de algumas práticas populistas em governos estabelecidos na América Latina.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

domingo, 27 de setembro de 2009

República Velha: As oligarquias no poder

Durante o Império, o governo central impunha seu poder às províncias, nomeando quem iria governá-las. Com o estabelecimento da República a situação mudou: as famílias poderosas de cada estado -as oligarquias locais- subiram ao poder e lá se mantiveram por meio de um esquema político-eleitoral fraudulento. Esses chefes locais, em geral grandes fazendeiros, muitas vezes tinham o título de coronéis da Guarda Nacional, (coronelismo).



Os coronéis determinavam o voto de seus agregados e favorecidos políticos (troca de favores), exercendo influência na região em que atuava através do "voto de cabresto". Para arrancar o voto do eleitor, o coronel usava duas formas:

-Violência pura e simples: caso o eleitor o traísse, votando em outro candidato, podia perder seu emprego ou mesmo ser morto pelos capangas;

-Troca de favores: Como a maioria da população era muito pobre, dependia do coronel para tudo, desde dinheiro emprestado, remédio, segurança, vaga no hospital, emprego... assim o coronel fazia esses "favores" a seus dependentes e , em troca, exigia que votassem em seus candidatos. Essa prática, chamada de clientelismo, é característica na política brasileira até os dias de hoje!

Eram comuns, ainda: manipulação dos resultados das eleições, roubo de urnas, e até inclusão dos votos de pessoas mortas ou ausentes.

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domingo, 13 de setembro de 2009

A traição aos lanceiros negros

Nos momentos finais da revolução Farroupilha ocorreu o "Massacre de Porongos", em 1844, na zona rural de Pinheiro Machado, onde os "lanceiros negros" foram mortos pelas tropas imperiais.

Mais uma vez se aproxima a data de 20 de setembro, comemorada no Rio Grande do Sul e pelo mundo afora como uma referência (e certa deferência) aos heróicos atos do exército farroupilha. Bem menos lembrada, mas nem por isso menos heróica, foi a participação de negros neste exército, organizado pela elite gaúcha, os ricos fazendeiros escravocratas do Rio Grande do Sul.

Os lanceiros negros formavam uma tropa especial do exército farroupilha que foi decisiva em muitas batalhas travadas durantes os dez anos de guerra. Porém, segundo André Melo, especialista em História Contemporânea pela Fapa, "Engana-se quem pensa que realmente existiu uma democracia racial entre os farrapos. Os soldados até poderiam ser negros, mas os oficiais eram todos brancos."

Por trás da participação dos negros havia a esperança da liberdade, a alforria, após a guerra. A participação dos negros terminou de forma trágica em 14 de novembro de 1844: a traição de Porongos, com o massacre dos lanceiros negros. Desarmados um dia antes por ordem de David Canabarro, os negros foram alvo fácil para as tropas do Império sob o comando de Francisco de Abreu, o Moringue.

O triste acontecido foi durante muitos anos ocultado da nossa história. Até hoje, grupos ligados ao tradicionalismo negam o episódio, e acusam os historiadores de renegar o heróico passado farrapo. Porém cabe a cada um de nós, estudantes e pesquisadores, fazer lembrar o massacre e desta forma homenagear esses heróis anônimos da luta pelo fim da escravidão.

A traição de Porongos e o massacre dos lanceiros negros é num dos mais lamentáveis episódios da história da humanidade.
É uma façanha que não orgulha, nem serve de modelo para nenhuma terra.

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domingo, 6 de setembro de 2009

Brasil Colônia: Consequências da mineração

A atividade mineradora no Brasil, como já dissemos, provocou uma alteração na estrutura colonial, ou seja, provocou mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais.

As mudanças econômicas

Para começar, a mineração mudou o eixo econômico da vida colonial -do litoral nordestino para a região Centro-Sul; incentivou a intensificação do comércio interno, uma vez que fazia-se necessário o abastecimento da região das minas - aumento da produção de alimentos e da criação de gado; surgimento de rotas coloniais garantindo a interligação da região das minas com outras regiões do Brasil.

Por estas rotas, as chamadas tropas de mulas, levavam e traziam mercadorias. Entre estas mercadorias, destaque para o negro africano, transportado da decadente lavoura açucareira para a região das minas.

Houve também um enorme estímulo a importação de artigos manufaturados, em decorrência do aumento populacional e da concentração de riquezas.

As mudanças sociais

Como dito acima, houve um enorme aumento populacional nas regiões das minas. Tal crescimento demográfico altera a composição e estrutura da sociedade. A sociedade passa a ter um caráter urbano e multiplica-se o número de comerciantes, intelectuais, pequenos proprietários, funcionários públicos, artesãos. A sociedade mineradora passa a apresentar uma certa flexibilidade e mobilidade - algo que não existia na sociedade açucareira. Inicia-se o processo de uma relativa distribuição de riquezas.

A sociedade torna-se mais politizada, graças a vinda de imigrantes e, com eles, a entrada das idéias iluministas- liberdade, igualdade e fraternidade.

As mudanças políticas

A Europa do século XVIII foi marcada pelo movimento filosófico denominado Iluminismo. As idéias iluministas chegavam ao Brasil pelos imigrantes sedentos pelo ouro ou trazidas pelos filhos dos grandes proprietários que foram estudar na Europa.

Alguns nomes merecem destaque, como Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Inácio Alvarenga Peixoto, entre outros. Estes nomes estão relacionados ao primeiro movimento de caráter emancipacionista da história do Brasil: a Inconfidência Mineira.

As mudanças culturais

Toda esta dinâmica econômica, política e social favoreceu uma intensa atividade intelectual na região das minas. A intensa riqueza extraída das minas também incentiva a produção cultural, tais como a música (Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, padre José Maurício Nunes Garcia); a literatura (o Arcadismo); a arquitetura e a escultura. Nesta área destaque para Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e para mestre Valentim.

AS CONTRADIÇÕES DA ECONOMIA MINERADORA

A descoberta do ouro, como dissemos, auxilia Portugal a solucionar alguns de seus problemas financeiros, principalmente seu saldo devedor para com a Inglaterra.

Em 1703 Portugal assinou com a Inglaterra um acordo denominado Tratado de Methuen. Através dele, Portugal conseguia benefícios alfandegários para a venda de vinhos na Inglaterra e ficavam obrigados a comprar manufaturados ingleses sem qualquer taxa aduaneira. Assim, o Tratado de Methuen vai inibir o desenvolvimento da manufaturas em Portugal e torná-lo dependente da Inglaterra.

Sendo assim, para pagar os produtos manufaturados que vinham da Inglaterra, Portugal vai utilizar o ouro encontrado no Brasil. O afluxo de ouro brasileiro para a Inglaterra contribui para o processo da Revolução Industrial, daí o ditado de que "a mineração serviu para fazer buracos no Brasil, construir igrejas em Portugal e enriquecer a Inglaterra".

Fonte: http://www.mundovestibular.com.br

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Série de reportagens relembra 70 anos do início da 2ª Guerra

O Terra, maior empresa de internet da América Latina, publica, a partir desta terça-feira, uma série de reportagens especiais sobre os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. A data marca a invasão da Polônia pelas tropas nazistas de Adolf Hitler.


Soldados alemães quebram barreira fronteiriça com a localidade polonesa de Sopot, dando início à invasão


Nesta terça, a série é inaugurada com a entrevista exclusiva com Helena Malinowska, 82 anos. A idosa polonesa não só viveu bem os horrores da noite de 1º de setembro de 1939, como, meses depois, já vivendo sob ocupação nazista, foi obrigada a trabalhar para os alemães.

"Sim, vi (os combates). Eu observava os soldados a cada dia, porque fui forçada a trabalhar para eles na cozinha do exército", relembra Helena na entrevista desta terça.

Na quarta-feira, a série continua com entrevista com o historiador Voltaire Schilling. Ele conta como a máquina de guerra alemã mudou a forma de batalhar, e como essa estratégia garantiu a supremacia militar do regime de Hitler na primeira fase do conflito.

Na quinta-feira, dia 3 de setembro, para relembrar a data em que Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha nazista, Voltaire Schilling assina um artigo exclusivo que redesenha toda a conjuntura geopolítica que levou à 2ª Guerra Mundial. Até hoje, foi o conflito que causou mais mortes: 70 milhões.

Na sexta-feira, a última reportagem da série mostra o trabalho de Eli Rosenbaum, que há trinta anos vem perseguindo criminosos de guerra nazistas. Atualmente, Rosenbaum é diretor do Serviço de Investigações Especiais do Departamento da Justiça dos EUA.

Além das reportagens, o especial é acompanhado ainda por um conjunto de elementos multimídia, como mapas animados detalhando a invasão nazista, linha do tempo, galerias de fotos, os discursos mais importantes, a repercussão do conflito na imprensa da época e o perfil dos principais personagens da guerra.

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Vamos acompanhar essa série de reportagens históricas!

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domingo, 30 de agosto de 2009

Brasil Colônia: A descoberta do ouro

A descoberta de ouro vai provocar uma profunda mudança na estrutura do Brasil colonial e auxilia Portugal a solucionar alguns de seus problemas financeiros.

A descoberta dos metais preciosos está relacionada com a expansão bandeirante entre os séculos XVII e XVIII. As primeiras descobertas datam do final do século XVII na região de Minas Gerais.

ADMINISTRAÇÃO DAS MINAS

Para administrar a região mineradora foi criada, em 1702, a Intendência das Minas, diretamente subordinada a Lisboa. Era responsável pela fiscalização e exploração das minas. Realizava a distribuição de datas -lotes a serem explorados, e pela cobrança do quinto ( 20% do ouro encontrado).


Apesar do controle metropolitano, a prática do contrabando era muito comum e, para coibi-lá, a Coroa criou no ano de 1720, as Casas de Fundição- transformavam o ouro bruto ( pó ou pepita ) em barras já quintadas, ou seja, extraído o quinto pertencente à Coroa.
A criação das Casas de Fundição gerou violentos protestos, culminando com a Revolta de Filipe dos Santos.

Quando ocorre o esgotamento da exploração aurífera, o governo português fixa uma nova forma de arrecadar o quinto: 100 arrobas anuais de ouro por município. Para garantir a arrecadação é instituída a derrama -a população completaria as 100 arrobas com seus bens pessoais. Este imposto trará um profundo sentimento de insatisfação para com a Metrópole.

FORMAS DE EXPLORAÇÃO DAS MINAS.

Havia dois tipos de exploração do ouro:
-as lavras: a grande empresa mineradora, com utilização de trabalho escravo, ferramentas e aparelhos;
-a faiscação: a pequena empresa, que explorava o trabalho livre ou escravos alforriados

OS DIAMANTES

As primeiras descobertas de diamantes no Brasil ocorreram em 1729, no Arraial do Tijuco, atual Diamantina. A dificuldade em se quintar o diamante levou a Metrópole a criar o Distrito Diamantino ­expulsão dos mineiros da região e a exploração passou a ser privilégio de algumas pessoas - os contratadores - que pagavam uma quantia fixa para extrair o diamante. Em 1771, o próprio governo português assumiu a exploração do diamante, estabelecendo a real extração.

Segue...(consequências da mineração)

Fonte: http://www.mundovestibular.com.br

sábado, 4 de julho de 2009

Atlântico Negro - Na rota dos orixás


Segue abaixo breve resenha colhida na internet sobre o documentário que está sendo visto pelos meus alunos da 1ª série do ensino médio:



ATLÂNTICO NEGRO - NA ROTA DOS ORIXÁS
País de Origem: Brasil
Ano: 1998
Duração: 75min
Diretor: Renato Barbieri.


Um relato realista e comovente das relações entre Brasil e África inspirou o videomaker Renato Barbieri e o historiador Victor Leonardi a criar uma série de quatro documentários chamada Atlântico Negro.

O primeiro filme da série, feito em vídeo, Na Rota dos Orixás, entrou em cartaz depois de ser elogiado no 31º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e de participar de eventos como o Dia Nacional da Consciência Negra.

Na Rota dos Orixás apresenta a grande influência africana na religiosidade brasileira. Na fita, Renato Barbieri mostra a origem das raízes da cultura jêje-nagô em terreiros de Salvador, que virou candomblé, e do Maranhão, onde a mesma influência gerou o Tambor de Minas.

Um dos momentos mais impressionantes deste documentário é o encontro de descendentes de escravos baianos que moram em Benin, um país africano desconhecido para a maioria do brasileiros, mantendo tradições do século passado.

Retirado parcialmente das páginas do Terra.

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Pessoalmente, gosto de destacar alguns elementos básicos que podem ser usados na análise do documentário, tarefa destinada aos alunos como "tema de casa", a ser entregue no DIA DA PROVA, na forma de uma redação com 15 à 25 linhas.
As observações abaixo são estritamente pessoais, portanto podem servir com sugestão (ou não), tu podes escrever tua redação utilizando o que melhor entenderes, desde que relacionado ao que foi apresentado na sala de vídeo e ao nosso conteúdo sobre o Brasil Colonial, trabalhado nas aulas.

1. A caracterização das religiões de matriz africana de forma didática, ou seja, oferecendo um olhar antropológico sobre religiões, o que nos permite entender alguns aspectos básicos da formação da sociedade brasileira sobre a qual existe forte preconceito.

2. Um ponto de vista diferenciado, -a partir de africanos, presente nos depoimentos colhidos em Benin sobre o translado e escravização de seus antepassados para o Brasil.

3. A narrativa sobre o retorno de escravos `as suas origens, a reintegração deles na sociedade e o translado da cultura luso-brasileira para Benin, com demonstrações na arquitetura, na língua, no modo de vestir e na Festa do Senhor do Bonfim.

4. As inúmeras homenagens que a população africana realiza para o Brasil, inclusive com o uso da Bandeira Nacional nos diversos eventos relacionados ao país, com demonstrações de admiração e respeito.

5. As imagens (fotografia), e as diferentes leituras possíveis do material apresentado.

6. Caso tenhas alguma dúvida quanto a qualidade do documentário, dê uma olhada neste link para ver a quantidade de prêmios que os caras ganharam!

Obs: Se tu quiseres assistir novamente, o vídeo está disponível no Youtube, dividido em partes.


sábado, 27 de junho de 2009

História sonegada




História sonegada
Luis Fernando Veríssimo



A abertura ou não dos arquivos sobre a repressão à insurgência armada durante a ditadura militar se resume numa questão: se alguém tem o direito de sonegar à Nação sua própria História. Os debates sobre a conveniência de se remexer esse passado viscoso e sobre as razões e as causas de cada lado são secundários. A discussão real é sobre quem são os donos da nossa História. É se, 25 anos depois do fim da ditadura, os militares têm sobre a nossa memória o mesmo poder arbitrários que tiveram durante 20 anos sobre a nossa vida cívica.

Não é só a nossa história em comum que está sendo sonegada. A história individual dos mortos pela repressão também. Aos parentes são negados não apenas seus restos como a formal cortesia de uma biografia completa. Uma reivindicação que nada tem a ver com revanchismo, que só pede uma deferência à simples necessidade das famílias reaverem seus corpos e saberem seu fim. Impedir que isso aconteça para não melindrar noções corporativas de honra ou imunidade é uma forma de prepotência que, 25 anos depois, não tem mais desculpa.

Revelações como as que o "Estadão" está publicando sobre a guerrilha no Araguaia servem como um começo para o resgate da nossa memória tutelada. Não precisa mexer na lei da anistia. É mais importante para a Nação saber a verdade do que punir os culpados. E já que se liberou a História e se busca a verdade com novo animo, por que não aproveitar e investigar alguns pontos cegos daqueles tempos, como a participação de setores do empresariado em coisas como o Comando de Caça aos Comunistas e a Operação Bandeirantes, agindo como corpos auxiliares da repressão urbana, não raro com entusiasmo maior do que o dos militares ou da polícia política - como costuma acontecer quando diletantes fazem o trabalho de profissionais. Algum correspondente civil ao major Curió deve ter em seus arquivos o relato da guerra naquela outra selva.

Mas sei não, há uma tradição brasileira de poupar o patriciado quando este se desencaminha. Quando descobriram que todos os negócios com o novo governo Collor teriam que passar pela empresa do P.C.Farias, não foram poucos e não foram pequenos os empresários nacionais que aderiram ao esquema sem fazer perguntas. Nas investigações sobre a corrupção que acabou derrubando Collor, seus nomes desapareceram. E, neste caso, não foram os militares que esconderam a verdade.

Artigo de Luis Fernando Veríssimo, publicado dia 25/06/2009 em vários jornais brasileiros.

Obs: As fotos escolhidas exemplificam a repressão das forças armadas contra os opositores do regime.

sábado, 13 de junho de 2009

O Achamento e o período pré-colonial



Período Pré-Colonial (1500-1530)

O interesse pelo Oriente – A armada de Pedro Álvares Cabral, em verdade, dirigia-se às “Índias” mas, seja acaso, tormentas, calmarias ou por propósito (o mais provável) chegou ao Brasil em 1500. Apesar de ter tomado posse da terra em nome do rei de Portugal, o principal interesse da monarquia, enfatize-se estava voltado para o Oriente, onde estavam as tão cobiçadas especiarias.

O “Achamento”

A Carta de Pero Vaz de Caminha fala em “achamento” destas terras, não fala em “descobrimento” ou “casualidade”. Tudo indica que, realmente, procuravam alguma terra, e a acabaram “achando”... O relato abaixo permite-nos uma idéia de como aconteceu este “achamento” segundo relatos de marujos da esquadra cabralina.

Na terça-feira à tarde, foram os grandes emaranhados de “ervas compridas a que os mareantes dão o nome de rabo-de-asno”. Surgiram flutuando ao lado das naus e sumiram no horizonte. Na quarta-feira pela manhã, o vôo dos fura-buchos – uma espécie de gaivota – rompeu o silêncio dos mares e dos céus, reafirmando a certeza de que a terra se encontrava próxima. Ao entardecer, silhueta­dos contra o fulgor do crepúsculo, delinearam-se os contornos arredondados de “um grande monte”, cercado por terras planas, vestidas de um arvoredo denso e majestoso.

Era 22 de abril ale 1500. Depois de 44 dias de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra – mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Nos nove dias seguintes, nas enseadas generosas rio sul da Bahia, os 13 navios da maior amada já enviada às índias pela rota descoberta por Vasco da Gama permaneceriam reconhecendo a nova terra e seus habitantes.

O primeiro contato, amistoso como os demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira, 23 de abril. O capitão Nicolau Coelho, veterano das Índias e companheiro de Gama, foi a terra, em um batel, e deparou com 18 homens “pardos, nus, com arcos e setas nas mãos”. Coelho deu-lhes um gorro vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto. Em troca, recebeu um cocar de plumas e um colar de contas brancas. O Brasil, batizado Ilha de Vera Cruz, entrava, naquele instante, no curso da História.

O descobrimento oficial do país está registrado com minúcia. Poucas são as nações que possuem uma “certidão de nascimento” tão precisa e fluente quanto a carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando o “achamento” da nova terra. Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduziu a armada de Cabral muito mais para oeste do que o necessário para chegar à Índia. Teria sido o descobrimento do Brasil um mero acaso?

É provável que a questão jamais venha a ser esclarecida. No entanto, a assinaturas do Tratado de Tordesilhas, que, seis anos antes, dera si Portugal a posse das terras que ficassem a 370 léguas (em torno de 2.000 quilômetros) a oeste de Cabo Verde explique a naturalidade com que a nova terra foi avistada, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as condições climáticas durante a viagem e a alta probabilidade de que o país já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora superficialmente. Uma terra pela qual ainda demorariam cerca de meio século para se interessarem de fato.

Os Tupiniquins

Ao longo dos dez dias que passou no Brasil, a armada de Cabral tomou contato com cerca de 500 nativos.

Eram, se saberia depois, tupiniquins – uma das tribos do grupo tupi-guarani que, no início do século 16, ocupava quase todo o litoral do Brasil. Os tupis-guaranis tinham chegado à região numa série de migrações de fundo religioso (em busca da “Terra sem Males”, no começo da Era Cristã. Os tupiniquins viriam no sul da Bahia e nas cercanias de Santos e Bertioga, em São Paulo. Eram uns 85 mil. Por volta de 1530, uniram-se aos portugueses na guerra contra os tupinambás-tamoios, aliados dos franceses. Foi uma aliança inútil: em 1570 já estavam praticamente extintos, massacrados par Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil.

Primeiras Expedições

O Brasil, ao contrario do Oriente, não possuía, em princípio, nenhum atrativo do ponto de vista comercial. Ao longo do período pré­-colonial foram, entretanto, enviadas várias expedições a nosso pais.

Primeiras expedições – Entre 1501 e 1502, Portugal enviou a primeira expedição com a finalidade de explorar e reconhecer o litoral brasileiro. Essa expedição, da qual se desconhece o nome do comandante, foi responsável pelo batismo de inúmeros lugares: cabo de S. Tomé, cabo Frio, São Vicente, etc. Com certeza, nessa expedição viajou o florentino Américo Vespúcio, que, posteriormente, em carta ao governante de Florença, Lourenço de Médici, irá declarar que não encontrou aqui nada de aproveitável. Apesar disso, constata a existência do pau-brasil, madeira tintorial conhecida dos europeus desde a Idade Média, que até então era importada do Oriente.

O pau-brasil – As primeiras atividades econômicas concentraram-se, pois, na extração ­daquela madeira, segundo o regime de estanco, isto é, sua exploração estava sob regime de monopólio régio. Como era costume, o rei co­locou em concorrência o contrato de sua exploração, que foi arrematada por um consórcio de mercadores de Lisboa chefiado pelo cristão novo Fernão de Noronha, em 1502.

No ano seguinte (1503) Fernão de Noronha montou uma expedição pata a extração do pau-brasil e fez o primeiro carregamento do produto.

No Brasil, foram estabelecidas então as feitorias, que eram lugares fortificados e funcionavam, ao mesmo tempo, como depósito de madeira. O pau-brasil era explorado através do escambo, no qual os indígenas forneciam a mão-de-obra para corte e transporte da madeira em troca de objetos de pouco valor para os portugueses.

Obs: Copiei do algosobre.

domingo, 7 de junho de 2009

Mulher portuguesa



Da Mulher Melancia à Marylin Monroe, o padrão de beleza feminino

Nas discussões em saula de aula, causou certo desconforto a alguns, motivo de riso a outros, a descrição da mulher portuguesa no Brasil Colonial. É certo porém, que a imagem real (e imaginária) do padrão de beleza feminino passa por mudanças ao longo do tempo. A razão dessa conversa iniciou ao se falar do texto O Impacto da Conquista onde procuramos, através dos dados que dispomos, imaginar como foram os primeiros contatos do homem europeu e os índigenas que viveram no Brasil.

Em relação a mulher indígena, que em se tratando de seu tipo físico que é muito semelhante ao da mulher brasileira atual, despertou (e até hoje desperta) interesses nos homens europeus. Ressalta-se que o padrão de beleza feminina do século XV era muito diferente da indígena brasileira, que além de possuir menos pêlos, era mais higiênica, pois banhava-se com muito mais frequência que as européias, até devido ao calor dos trópicos e a necessidade de refrescar-se.

Ao descrever a típica mulher portuguesa, sobretudo a pertecente a elite colonial, não se deve deixar de destacar que muitas delas cultivavam o sobrepeso, tinham quadris largos, queixo duplo, (as vezes triplo), pescoços braços e pernas muito largos e em grande parte exibiam buços tão espessos que mais se assemelhavam aos bigodes de alguns homens. Em relação a higiene, sabe-se que o frio europeu e a não existência de duchas (não tinham inventado) não inspirava banhos diários, mas sim semanais, ou a cada quinze dias, conforme as condições da pessoa. Ao marujo que desembarcava no Brasil, não tinha como deixar de comparar a mulher européia com as belas índias seminuas que habitavam o litoral brasileiro! Mas resta a pergunta: Por que as mulheres do século XV tinham que ser gordas?
Em primeiro lugar, a crença da fertilidade.

É uma crença pré-histórica. A Vênus de Willendorf foi esculpida entre 24.000 e 22.000 A.C., no período paleolítico. Observe o destaque dado às mamas, ao abdome e à vulva, como símbolos da fertilidade feminina.

A idéia de que as mulheres mais gordinhas eram mais férteis permaneceu muito tempo como válida. Pensava-se que a mulher mais gorda teria melhor condições de nutrir o feto, além disso não faltaria leite para o bebê.

A associação do corpo feminino à fertilidade se demonstra também na arte renascentista: É comum a predominância da mulher representada com quadris largos, uma referência a idéia predominante de que mulheres com essas características têm mais facilidade para parir.






Se pensarmos que sem os avanços da medicina obstétrica, como a cirurgia cesariana, por exemplo, muitos bebês e mães morriam no parto, a preferência por mulheres que poderiam dar a luz com mais facilidade faz sentido.




Retrato de Mulher Nua, de Rafael Sanzio (1518-1520). A modelo conhecida como La Fornarina, representa o padrão de beleza preferido pelo homem renascentista italiano.














Rembrandt – Bathsheba at her bath, 1654, óleo sobre tela.
O pintor holandês também faz a representação feminina com gordurinhas e quadris largos.













As três graças,

O que antes era beleza hoje é celulite e gorduras localizadas!


Por sua condição de deusas da beleza, eram associadas com Afrodite, deusa do amor. Também se identificavam com as primitivas musas, em virtude de sua predileção pelas danças corais e pela música. Nas primeiras representações plásticas, as Graças apareciam vestidas; mais tarde, contudo, foram representadas como jovens desnudas, de mãos dadas; duas das Graças olham numa direção e a terceira, na direção oposta.

Esse modelo, do qual se conserva um grupo escultórico da época helenística, foi o que se transferiu ao Renascimento e originou quadros célebres como "A primavera", de Botticelli, e "As três Graças", de Rubens.




Obs: Representante da elite agrária, a mulher portuguesa da primeira imagem optou por utlizar suas melhores jóias no momento do retrato.